Amo o que te sai das mãos.
O que fazes
O que produzes
O que te sai da voz
com todos os silêncios e as quebras
Amo o que te sei
porque aqui fico,
estou,
presentificas-me,
para receber o que tens para dar
Para assimilar o que nos dás
(ainda que por vezes não seja imediato).
Por isso, perdoa-me o timing,
o tempo de espera que
necessito para
te ter dentro de mim.
Perdoa-me porque no fundo
apenas te quero ter para sempre.
A única forma de te ter
e te tornar minha
pele, unhas e suor
ainda que demore
o tempo de um gemido
perdoa-me
porque o que tens é tanto
e eu sou tão pouco
tu és tanto
e eu amo-te tudo.
Perdoa-me a tua beleza
que a não consigo suportar.
2h50
domingo, 28 de abril de 2013
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Avesso
Preciso de fazer amor. Nem que seja por telemóvel. A quem hei-de ligar a não ser a ti, que me entendes e nem preciso de falar? Estou cheia. Preciso de dar para alguém. Queira que fosses tu. Todos os outros estão apaixonados e não sabem o que fazer com o mais que lhes possa dar.
Hoje ouvi numa letra de Caetano Veloso: És o avesso do avesso do avesso do avesso
"O completo avesso do desejo obcessivamente ocupado em repetir o mesmo de que tanto gostou pela primeira vez e, sempre de novo, procura voltar a sentir como da primeira vez, e não consegue, e por isso persiste. Mesmo que não compreendas o que te quero dizer - também eu tenho as minhas dúvidas - é nítido que vem a propósito de nós dois, ou de um só e do outro menos. "
A minha dúvida, contigo, é perceber se alguma vez exististe de facto. Não entendo o que me dizes. Não entendo o que faria amanhã. O teu domínio para comigo é moveres-me sem eu me aperceber. A única forma de continuar é geograficamente. Se há dias que acontecem, há noites que não podem acontecer pelo simples facto de terminarem com sol. Pensar em sol contigo é pensar em domínio. Pensar em sol contigo é navegar pelos mares e dominar Tríton. Queremos isso?! Pensar em sol contigo é não saber o final mas ter a certeza que será justo. Qualquer abreviatura deste caminho é sufocar um sonho, à partida. É um ultraje, um aborto criminoso, um atentado à felicidade.
Prefiro não te ter nunca, a ter-te uma única vez. Não me chegas uma vez. Nunca te tive e sei que morreria pela vez seguinte.
O sinal de "Perigo de Morte" não devia ser colocado em mim, como gostas de dizer, mas em ti.
De repente, a normalidade serve de suporte e passamos a ser excepção. A única excepção que faz sentido.
A que vale a pena ser vivida.
O avesso é só uma questão geográfica.
17,14/ 11 Abr
sábado, 16 de março de 2013
Poema de Bolso
http://www.youtube.com/watch?v=9CDOioJ9lP0
Poema pequeno este que escrevo
não por falta de palavras que essas
resumem-se ao verbo.
Quero-te dar um poema de bolso.
Cose-o à pele com fios de cabelo
ou engole-o
e deixa-me percorrer-te as veias.
E para onde quer que olhes
verás através destas palavras.
Quando te sentares,
serão nestes versos que repousarás.
Quando chorares
(e eu sei que choras)
existirão na água sagrada da tua alma
pequenos pedaços de sílabas de amor.
O sonho começa quando acordo ao teu lado.
O poema repousa-te nas pálpebras,
nas tuas mãos suadas,
no teu sexo cansado,
na tua boca de pêssego entreaberto.
E a beleza é tanta
que não te consigo sussurrar sequer:
- "Bom dia, meu amor..."
Era para ser um poema pequeno,
juro!
Daqueles que memorizas
e mais parece um provérbio,
um silogismo, um ditado.
O poema que te quero dar
resume o mundo num verso:
o teu nome.
06'04/ sofa, rodeada de cadelas e da tua presença
Poema pequeno este que escrevo
não por falta de palavras que essas
resumem-se ao verbo.
Quero-te dar um poema de bolso.
Cose-o à pele com fios de cabelo
ou engole-o
e deixa-me percorrer-te as veias.
E para onde quer que olhes
verás através destas palavras.
Quando te sentares,
serão nestes versos que repousarás.
Quando chorares
(e eu sei que choras)
existirão na água sagrada da tua alma
pequenos pedaços de sílabas de amor.
O sonho começa quando acordo ao teu lado.
O poema repousa-te nas pálpebras,
nas tuas mãos suadas,
no teu sexo cansado,
na tua boca de pêssego entreaberto.
E a beleza é tanta
que não te consigo sussurrar sequer:
- "Bom dia, meu amor..."
Era para ser um poema pequeno,
juro!
Daqueles que memorizas
e mais parece um provérbio,
um silogismo, um ditado.
O poema que te quero dar
resume o mundo num verso:
o teu nome.
06'04/ sofa, rodeada de cadelas e da tua presença
sábado, 12 de janeiro de 2013
As coisas boas
Os segundos que antecedem
a tua chegada ao meu corpo
valem todo o tempo de espera
desde que nasci até chegar ao teu porto.
Há uma alegria quase infantil
só de pensar como te vou beijar
abraçar-te, prender-te, ter-te
amar-te e desdobrar-me em mil.
Sinto os teus lábios
antes de os beijar e morro por dentro.
Sinto a tua pele
antes de a saborear e desabo num pranto.
Admito que não tenho coerencia
nesta estranha forma de te amar.
mas por favor, tem paciencia
é por medo de te perder.
por isso,
entra rápido por aquela porta
acalma este mar de ansiedade
cresce uma criatura de paixão
alimentada pela tua felicidade.
Devo estar louca por este amor
prometo-te apenas as coisas boas
nada de angústia nem de dor
prometo-te apenas...as coisas boas.
http://www.youtube.com/watch?v=GGGVNq2sJ_k
00`05/ 12 fev/scriptorium
a tua chegada ao meu corpo
valem todo o tempo de espera
desde que nasci até chegar ao teu porto.
Há uma alegria quase infantil
só de pensar como te vou beijar
abraçar-te, prender-te, ter-te
amar-te e desdobrar-me em mil.
Sinto os teus lábios
antes de os beijar e morro por dentro.
Sinto a tua pele
antes de a saborear e desabo num pranto.
Admito que não tenho coerencia
nesta estranha forma de te amar.
mas por favor, tem paciencia
é por medo de te perder.
por isso,
entra rápido por aquela porta
acalma este mar de ansiedade
cresce uma criatura de paixão
alimentada pela tua felicidade.
Devo estar louca por este amor
prometo-te apenas as coisas boas
nada de angústia nem de dor
prometo-te apenas...as coisas boas.
http://www.youtube.com/watch?v=GGGVNq2sJ_k
00`05/ 12 fev/scriptorium
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Lamber as Feridas
Finge que não me conheces
e não me voltes a procurar
peço te
de outra forma
não consigo.
todos os textos que te escrevi
se é que ainda tens algum...
faz um esforço e por favor
lança-os ao fogo
deixa-me lamber as feridas
calada quieta no meu canto
não me chames
não me lembres do teu nome
porque tu ainda existes
em todo o lado para onde olho.
porque tudo ainda me lembra a ti
deixa-me sozinha
lamber as feridas.
o relógio que te dei
espero que tenha parado
para sempre na meia noite
onde lançaste o meu coração.
mas até um relógio parado
acerta duas vezes
e com a sorte que eu tenho
sem fogo onde me abandonar
nem fogueira onde me lançar
hás-de-me aparecer um dia
e este fogo que me consome agora
me fará gritar contigo.
https://www.youtube.com/watch?v=jZWRp4UqyRo&feature=related
17h40/a subir a escada
e não me voltes a procurar
peço te
de outra forma
não consigo.
todos os textos que te escrevi
se é que ainda tens algum...
faz um esforço e por favor
lança-os ao fogo
deixa-me lamber as feridas
calada quieta no meu canto
não me chames
não me lembres do teu nome
porque tu ainda existes
em todo o lado para onde olho.
porque tudo ainda me lembra a ti
deixa-me sozinha
lamber as feridas.
o relógio que te dei
espero que tenha parado
para sempre na meia noite
onde lançaste o meu coração.
mas até um relógio parado
acerta duas vezes
e com a sorte que eu tenho
sem fogo onde me abandonar
nem fogueira onde me lançar
hás-de-me aparecer um dia
e este fogo que me consome agora
me fará gritar contigo.
https://www.youtube.com/watch?v=jZWRp4UqyRo&feature=related
17h40/a subir a escada
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Luto
Estou de luto.
Não pela morte
de alguém que partiu
mas de luto de mim própria
De alguma forma,
a pessoa que eu era ontem
por esta hora,
já não é esta que escreve.
"Tinha diante de mim o rei das trevas. O quão fora belo anjo de luz, hoje era feio. Espantei-me ao ver que tinha três caras em uma só cabeça. A cara da frente era vermelha,a da direita, amarelenta, e a da esquerda, negra como a fulígem"
Descrição do Inferno in Alighieri, Dante, A Divina Comédia
VIGÍLIA
Como o companheiro é morto,
todos juntos morreremos
um pouco.
O valor de nossas lágrimas
sobre quem perdeu a vida
não é nada.
Amá-lo, nesta tristeza,
é suspiro numa selva
imensa.
Por fidelidade recta
ao companheiro perdido,
que nos resta?
Deixar-nos morrer um pouco
por aquele que hoje vemos
todo morto.
Cecília Meireles
14h26/scriptorium
sexta-feira, 11 de maio de 2012
A Bernardo
"O sol perguntou à lua"
Não chega ouvir-te. Precisamos de te ver. Ver as narinas de touro e o olhar fulminante, nunca estás onde pareces estar. A quem és tu fiel? De onde te vem essa irresponsabilidade criativa onde três notas ganham o tamanho de uma sinfonia? Como se entra no túnel onde pareces entrar sempre que te concentras? E por que não conseguimos nós entrar? Já alguma vez encontraste, alguma vez e diz-me que sim por favor, esse êxtase vazio e sublime? Morreste, Bernardo! Valeu a pena? Há pianos onde estás, como disse o Abrunhosa? Como caíste, Bernardo? Esticaste-te? Tropeçaste? Espreitaste? Conseguiste ao menos tirar a fotografia? Podemos vê-la? A que sabe uma fotografia com cheiro a morte?
O que deixas é maior que tu, mas só porque não te conhecemos. Somos o rei Minos numa Creta labiríntica: o medo que temos do Minotauro é igual ao medo que temos de aceitar que
o sol perguntou à lua: logo vais aparecer?
20h28/a atravessar as cinco fases
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